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Amuleto: quando a Baixada escreve a história do cinema brasileiro

  • Foto do escritor: Ana Soáres
    Ana Soáres
  • 30 de set. de 2025
  • 2 min de leitura

Amuleto
Divulgação

Rio de Janeiro, setembro de 2025 — O cinema feito nas margens nunca foi apenas estética: é sobrevivência, é denúncia, é memória. E agora, em pleno 27° Festival do Rio, um gesto simbólico atravessa a tela: o documentário “Amuleto”, dirigido por Heraldo HB e Igor Barradas, estreia na mostra competitiva Première Brasil, um dos espaços mais prestigiados do audiovisual nacional.

Não é apenas um filme — é uma contra-história. “Amuleto” revisita “O Amuleto de Ogum” (1975), de Nelson Pereira dos Santos, rodado em Duque de Caxias, em plena ditadura militar, e que se tornou referência por dar rosto e voz à Baixada Fluminense em um faroeste místico. Meio século depois, cineastas que cresceram no mesmo território retornam àquelas imagens, perseguem os bastidores, recuperam memórias e escancaram: a periferia sempre foi parte essencial do cinema brasileiro, mesmo quando invisibilizada pelos centros de poder.

“Amuleto é um manifesto sobre o cinema e sobre o Brasil que acreditamos. É um filme que não tem medo da emoção, que quer tocar, abraçar e encorajar”, afirma Igor Barradas, com a convicção de quem transformou décadas de resistência em obra.

Amuleto, um ato político em forma de filme

Mais do que resgatar uma obra, o documentário é a afirmação de um território que insiste em existir e narrar-se. O Cineclube Mate com Angu, do qual os diretores fazem parte há 20 anos, é pedra fundamental dessa construção. Foram eles que buscaram antigos técnicos, atores e colaboradores de “O Amuleto de Ogum” — muitos já falecidos — para costurar uma narrativa que preserva memória e, ao mesmo tempo, inaugura novas possibilidades.

A obra também é atravessada pela música. Uma trilha original conduz o espectador num ritmo visceral. “É uma jornada sonora inesperada”, revela Barradas, apontando para a dimensão sensorial que o longa carrega.

Cinema da periferia, cinema de todos

A força de “Amuleto” está em não se distanciar do povo.

“É a história do cinema brasileiro vista a partir de Caxias, da classe popular, falando de nossas contradições, mas também do que nos une”, explica Heraldo HB.

Não é coincidência que essa estreia aconteça no Festival do Rio, maior vitrine do cinema brasileiro. É o reconhecimento de que o cinema da Baixada Fluminense não é apenas regional, é universal. Sua trajetória expõe as desigualdades, mas também revela uma potência criativa que sempre existiu — e que agora é legitimada no palco principal.

Serviço

  • Filme: Amuleto

  • Direção: Heraldo HB e Igor Barradas

  • Estreia: Festival do Rio, Première Brasil – Documentário

    • 4/10 às 17h (sessão para convidados e imprensa, Estação Gávea)

    • 5/10 às 10h30 (sessão aberta seguida de debate, Cine Odeon)

    • 6/10 às 13h45 (sessão aberta, Cinesystem Belas Artes 5)

  • Ingressos: Populares pelo ingresso.com a partir de 30/9

  • Classificação indicativa: Livre

Em tempo

Num país onde as periferias ainda lutam para ocupar espaços de fala e criação, “Amuleto” é mais do que cinema: é documento, é resistência, é futuro. O público que lotar as salas do Festival do Rio verá não apenas um filme, mas um território inteiro se projetando na tela.

A pergunta que fica é: quantos outros “amuletos” estão escondidos, esperando ser descobertos, por que o Brasil ainda não aprendeu a olhar para a riqueza criativa de suas margens?

1 comentário

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Juliana Portella
Juliana Portella
30 de set. de 2025
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Adorei o texto e a sensibilidade da reportagem e do projeto ✨✨

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