Cidades Verdes: quando o futuro das metrópoles passa pelo oceano
- Da redação

- 5 de set. de 2025
- 3 min de leitura
Nos dias 10 e 11 de setembro de 2025, o Rio de Janeiro se tornará palco de um debate urgente e inadiável: o futuro das cidades em um mundo que já sente o colapso climático bater à porta. Na sede da Firjan, o seminário Cidades Verdes 2025 chega à sua décima edição com um tema provocador e visionário — “As Cidades Azuis e a Transição Energética: desafios e oportunidades”.
Não se trata apenas de um encontro acadêmico ou institucional. O seminário, realizado pelo Instituto Onda Azul, emerge como um espaço estratégico de reflexão em meio às discussões da COP30, que acontecerá em novembro no Brasil. Ali, estarão reunidos especialistas em energia, urbanismo, mobilidade, saneamento e meio ambiente, trazendo para a mesa a difícil equação: como conciliar crescimento urbano, economia e qualidade de vida em um planeta já marcado por extremos climáticos?

O chamado das águas
As chamadas “Cidades Azuis” não são uma utopia futurista. O conceito nasce da economia azul, que aposta no crescimento econômico aliado à preservação dos ecossistemas marinhos e ao uso inteligente dos recursos hídricos. Em outras palavras: não haverá cidades sustentáveis sem a valorização da água — do saneamento básico à proteção dos oceanos.
No Brasil, a urgência é evidente. Mais de 35 milhões de pessoas ainda vivem sem acesso a água tratada, e quase 100 milhões não têm esgoto coletado (SNIS, 2024). Essa ausência de infraestrutura agrava desigualdades sociais e expõe populações vulneráveis a riscos ambientais e sanitários.
“Diversificamos os temas, da água à mobilidade urbana, sempre olhando para a transformação real das cidades”, afirma André Esteves, diretor-executivo do Instituto Onda Azul.
O futuro e as vozes do encontro
A programação do primeiro dia mergulhará nos desafios hídricos. O painel de abertura reunirá dirigentes da Cedae, da Águas do Rio e da Iguá Saneamento, além da socióloga Aspásia Camargo e de representantes do setor industrial. A pauta será direta: gestão hídrica e saneamento em tempos de estresse climático, quando estiagens e enchentes deixam claro que não se trata de uma questão de futuro, mas de presente.
Outro momento esperado será o painel Projeto Guanabara Azul, que discute como transformar o Rio em uma metrópole de referência na economia azul. Estarão presentes Ana Asti, subsecretária de Recursos Hídricos e Sustentabilidade do Estado, Bruno Sasson, da Agenersa, e Jorge Peron, gerente de Sustentabilidade da Firjan.
O dilema da era pós-petróleo
No dia 11, as atenções se voltarão para a transição energética, um dos pontos centrais da COP30. O mundo inteiro já reconhece a urgência de diversificar a matriz energética e reduzir a dependência de combustíveis fósseis, mas a realidade é contraditória: em 2024, o Brasil bateu recorde na produção de petróleo, ultrapassando 4 milhões de barris por dia, segundo a ANP.
Como planejar uma economia pós-petróleo em um país que ainda depende fortemente dessa indústria para equilibrar suas contas públicas? Essa é a encruzilhada.
A mesa A melhor fonte de energia para as cidades reunirá Amanda Schutze (FGV Clima SP), Ilan Cuperstein (Prefeitura do Rio), Andrea Santos (Coppe/UFRJ) e Sérgio Besserman (Instituto Jardim Botânico), discutindo o papel das renováveis, da mobilidade limpa e da tecnologia na redefinição da vida urbana.
Mobilidade e desigualdade
Outro eixo fundamental será a mobilidade urbana. O Brasil segue refém de um modelo excludente, em que o transporte público de baixa qualidade empurra parte da população para horas de deslocamento diárias. O que está em jogo não é apenas eficiência energética, mas justiça social: como falar em sustentabilidade sem enfrentar o direito à cidade?
Reflexão final
O Cidades Verdes 2025 será mais que um seminário: será um teste. Um teste para governos, empresas e sociedade civil mostrarem se estão dispostos a enfrentar os interesses que mantêm cidades poluídas, desiguais e frágeis diante da crise climática.
As Cidades Azuis surgem como símbolo de um novo pacto civilizatório, no qual a água, os oceanos e a transição energética deixam de ser tópicos técnicos para se tornarem centrais na vida cotidiana.
A pergunta que ecoará no auditório da Firjan e além dele será simples, mas decisiva: estamos preparados para abandonar a lógica extrativista que nos trouxe até aqui, ou continuaremos a remar contra a maré, até o colapso final?
Serviço
Evento: Seminário Cidades Verdes – “As Cidades Azuis e a Transição Energética: desafios e oportunidades”
Data: 10 e 11 de setembro de 2025
Horário: das 8h30 às 17h30
Local: Firjan – Avenida Graça Aranha, 1, Centro, Rio de Janeiro
Programação e inscrições: cidadesverdes.com





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