Empreendedoras do Sul criam produtos com propósito e combatem a poluição marinha
- Da Redação

- 8 de jul. de 2025
- 3 min de leitura
Projeto Redeiras transforma redes de pesca em acessórios de moda
Por: Rafaela Grande
Fotos: Acervo Redeiras
O Projeto começou em outubro de 2008 por iniciativa do Sebrae/RS, dentro do Projeto do Sebrae Nacional “Território da Cidadania”, que contemplava 25 municípios da Região Sul do nosso estado.
O Sebrae propôs a formação de um grupo de mulheres e fazerem um artesanato com os materiais ou alguma referência à colônia de pescadores. Após a formação do grupo, começaram os trabalhos. Durante o primeiro semestre de 2009 aconteceu palestras, cursos, oficinas voltadas a Relações humanas, associativismo, cooperativismo. Agosto de 2009 receberam a primeira oficina de desenvolvimento de produtos com a Design Karine Faccin. Foi criada a primeira coleção.

Durante esse segundo semestre as mulheres/artesãs fizeram os testes, executavam as propostas da Design e em novembro foi definido realmente quais produtos fariam parte da primeira coleção REDEIRAS. Os produtos são feitos da reciclagem do descarte dos pescadores. As escamas de peixe são lavadas, recortadas e lixadas, sendo a maioria trabalhadas com a prata, fazendo colares, brincos e pulseiras, as biojóias. As redes de pescar camarão que são descartadas pelos pescadores após usarem em torno de 5 anos, são limpas, lavadas e recortadas em fio, tornando-se nossa matéria prima para as bolsas, carteiras, xales e colares. Em fevereiro de 2010 foi lançada a coleção na Paralela Gift em são Paulo, também com o apoio do Sebrae.

O grupo é formado por 9 mulheres que fazem parte do projeto de forma direta. Todas têm suas responsabilidades. Atualmente, Rosani está como presidente da Associação. Faz a parte comercial, contato com os lojistas. A idealização do projeto foi sim a realização de um sonho.
O apoiador que o projeto sempre pode contar é o Sebrae. Por serem produto TOP 100 do Sebrae Nacional, o Redeiras tem tido apoio em participação de feiras nacionais, que dão espaço para comercializar e ter acesso a novos clientes. A missão do projeto é produzir um artesanato bonito, com design e com história a partir da reciclagem, visando a sustentabilidade e um meio ambiente saudável. Os produtos podem ser encontrados no site www.redeiras.com.br, em loja no centro de Pelotas, em lojistas espalhados pelo Brasil, ou pelo Instagram: @redeiras.
Diretamente são 9 artesãs que fazem parte da Associação, mas envolvem mais de 15 famílias que prestam serviços para as Redeiras, principalmente no processo de reciclar, de receber a rede suja, lavar e recortar em fio. O impacto causado na vida das artesãs participantes foi muito significativo. Hoje elas contam com renda extra ou muitas vezes, renda familiar principal. As mulheres Redeiras são reconhecidas e são respeitas. Contam com o apoio da sua própria família, que inicialmente não acreditavam.

“O que as artesãs fazem é sim moda sustentável. É muito importante e traz uma satisfação enorme quando se olha o que eram as redes descartadas e o que são nossos produtos prontos. É muito gratificante receber por esse trabalho e receber elogios dos clientes”, afirma Rosani.
O projeto já está expandindo, pois, a demanda se tornou grande e precisamos buscar ajuda. Hoje a parte da reciclagem da rede é quase 100% feito por prestadores de serviços que fazem parte da equipe. O projeto não pode ir muito além por terem dificuldade de conseguirem redes para reciclar.
A Associação participou de um edital público para construir a primeira sede. No momento ainda não existe um espaço físico para o grupo. Cada artesã trabalha em sua casa. Essa sede é muito importante para a equipe, pois recebem muitos professores, alunos que querem conhecer o projeto, designs, gravações de programas, reportagens etc. Para esse ano, além de participar das feiras que o Sebrae oportuniza, é a chegada dos recursos e vermos nossa sede construída. Sim, o projeto já recebeu prêmios e homenagens. Um deles foi O Museu A Casa de São Paulo. Prêmio “Design de produto coletivo”, Troféu Folha Verde da Câmara de Deputados do RS, Troféu Mulher Artesã da Feira Nacional de Artesanato de Belo Horizonte.
“A mensagem deixada é: Artesanato e sustentabilidade – Crie um artesanato com história, com design, invista no cliente que você quer atender, acredita no seu potencial e assim você terá um artesanato que lhe manterá no mercado”, finaliza a responsável pelo projeto Rosani Shiller.






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