top of page
Esse site foi criado por Buchmann Comunicação

"Vale Tudo" valendo

  • Foto do escritor: Marcelo Teixeira
    Marcelo Teixeira
  • 7 de jul. de 2025
  • 2 min de leitura

            Sei que há muitos colegas de ofício aqui da “Pahnorama” que escrevem sobre TV, mas como sempre fui noveleiro e cheguei antes no planeta, acho que também posso opinar. Na década do século 20 (eu era criança), fui testemunha ocular de megassucessos como “Selva de Pedra”, “Pecado Capital”, “Locomotivas” e “Dancin’ Days” (TV Globo), além de “Mulheres de Areia”, “Os Inocentes” e “A Viagem” (TV Tupi). Duas delas, a Globo remontou décadas depois. Poderia fazer o mesmo com “Os Inocentes”, mas isso é outra estória.

 

            Na década de 80, lá estava eu, no verdor dos 20 anos, testemunhando o triunfo de tramas como “Baila Comigo”, “Que Rei Sou Eu?”, “Roque Santeiro” e, é claro, a primeira versão de “Vale Tudo”, tida até hoje, nas palavras da atriz Beatriz Segall (que deu vida a Odete Roitman), como a melhor novela que a TV Globo já produziu. E foi mesmo. À época, “Vale Tudo” foi um marco. Uma trama eletrizante, abordando assuntos atuais com um elenco afiadíssimo numa trama sem as costumeiras “barrigas” ou ‘encheções’ de linguiça.

 

            Por isso, quando a emissora anunciou que faria uma nova versão de “Vale Tudo” para comemorar o aniversário de 60 anos, todo mundo estranhou. Muitos disseram que o clássico dos clássicos seria estragado, que a nova versão não ficaria à altura do original, que não havia elenco à altura do “cast” original etc.

 

      Na segunda-feira, 7 de julho, foi ao ar a cena catártica que todos esperavam. O momento que marca a virada da personagem Raquel e, por conseguinte, de toda a trama. Raquel (Taís Araújo), desmascara a filha, Maria de Fátima (Bela Campos), lhe diz várias verdades e a desnuda diante de dois membros da família do noivo: Celina e Odete, que apoia Fátima.

 

        A cena, muito bem construída, mostrou a força de uma trama que, apesar de passados 37 anos da versão original, permanece atual. Afinal, no mesmo capítulo, tivemos dois personagens (Leila e Marco Aurélio), marido e esposa, conversando, na intimidade do leito conjugal, sobre lavagem de dinheiro; Fátima e o amante, César (Cauã Reymond) arquitetando falcatruas e por aí vai.

 

       “Vale Tudo”, por conseguinte, ainda diz muito sobre o país. A mania que muita gente tem de querer se dar bem a qualquer custo, pessoas que querem subir na vida passando por cima de quem quer que seja, uma elite arrogante e esnobe que despreza o povo que dá duro; ricos querendo ficar ainda mais ricos e ainda mais odientos...

 

        Quem duvida, basta dar uma espiadinha na extrema direita que infesta a política em níveis municipal, estadual e federal. Uma gente mesquinha, gananciosa que explora a boa fé alheia e destila ódio para defender interesses corporativos e conquistar poder e mais poder. E como nem todo exemplo que vem de cima é bom, continuamos a ver gente tiranizando subordinados e familiares, canalhas se duplicando por se sentirem representados no Congresso e na novela etc.

 

         “Vale Tudo” continua valendo. E é bom analisarmos os porquês se quisermos de fato fazer um país diferente do que temos visto até aqui.

 

Marcelo Teixeira

 
 
 

Comentários

Avaliado com 0 de 5 estrelas.
Ainda sem avaliações

Adicione uma avaliação
bottom of page